Quero Meu Casamento Firme e Forte: Aspecto 2 – Confiança

por Leslie De Morais

traduzido por Eliane Mariano de Oliveira Albuquerque

Aspecto 2: Confiança

“A maior prova de amor é a confiança”.  Essa é uma citação da renomada colunista e psicóloga americana Joyce Brothers1. Todas nós já lemos algo parecido com essa citação na Bíblia.

O amor é paciente e amável. O amor não é ciumento, não exalta a si mesmo, não é orgulhoso. O amor não é malcriado, não procura seus interesses, não se irrita facilmente, não guarda mágoas. O amor não se alegra com o mal, mas alegra-se com a verdade. O amor aceita todas as coisas com paciência, tem sempre confiança e esperança, e se mantém sempre firme.– 1 Coríntios 13:4-7 (VFL)

Essa é a definição bíblica de amor. Isso é o que todas nós desejamos em nossos relacionamentos. É sobre essa base que desejamos construir nossos casamentos. Mas e se o seu casamento sofreu uma quebra de confiança? Essa quebra poderia ser uma pequena infração, como esquecer de realizar uma tarefa prometida ou poderia ser algo infinitamente mais prejudicial, como a infidelidade, algo com que alguns casais têm que lidar.   O que você pode fazer para vencer a desconfiança? Do outro lado do espectro, como você poderia reconquistar a confiança que seu cônjuge tinha em você?

Há livros inteiros escritos sobre questões como essas. Não posso ter a pretensão de oferecer todas as respostas neste tipo de artigo.  Entretanto, após ler esse texto, talvez você possa encontrar um direcionamento correto.  Depois, a parte mais difícil ficará por sua conta.

A base da confiança

A confiança, assim como uma boa reputação, leva anos para se estabelecer e pode ser perdida em um único momento.  A confiança pode se basear num aperto de mão, numa promessa, num voto ou até mesmo no simples desejo de acreditar. A confiança é um consenso entre duas partes de um entendimento mútuo.

No começo, a confiança é como uma plantinha brotando que tem o potencial de se tornar uma árvore enorme, bem enraizada e imutável, com uma força que inspira confiança completa.  Ou então, aquele mesmo brotinho vulnerável pode ser pisado e esmagado.

No mais profundo de nosso coração, sentimos o forte desejo de confiar.  Queremos acreditar em alguém ou em alguma coisa de todo o coração.  No casamento, queremos acreditar em nosso cônjuge e queremos acreditar no amor. Isso nos dá esperança. A confiança é o que nos guia e norteia, proporcionando um sentimento de direção, propósito e estabilidade.

Um relacionamento com Deus é muito parecido.  Enquanto estivermos neste mundo, Deus será invisível para nós.  Não podemos vê-lo, ouvi-lo nem o tocar; contudo, somos chamados a crer e confiar em sua existência. O Filho de Deus viveu há distantes 2000 anos antes de nós e Deus trabalha por meio do Espírito Santo, que também não se vê e não pode ser sentido fisicamente.   Tudo sobre nosso relacionamento com Deus se baseia em confiança, na verdade, numa confiança cega.  Então por que e como fazemos isso?

Por que confiamos?

Deus se deixou conhecer por nós em tudo o que vemos, tocamos e sentimos. Ele está ao nosso redor, em tudo o que Ele criou. Você já contemplou um amanhecer ou um pôr do sol e se encantou com tanta beleza? Você já se maravilhou com a complexidade de um organismo vivo? Já ficou impressionada com a perfeição do corpo humano ou com o milagre da vida de um bebê recém-nascido? Isso é Deus se fazendo conhecer para nós para que possamos confiar nele.

Desde o princípio da criação, as qualidades invisíveis de Deus, tanto o seu poder eterno como a sua natureza divina, são claramente percebidas pelas coisas que Ele fez. Portanto os homens não têm qualquer desculpa.  – Romanos 1:20 (NVI)

De que modo confiamos?

Confiar começa da mesma forma que um bebê começa a andar.  Lemos sobre Deus, sobre suas promessas, sobre seu Reino, sobre seu Filho e sobre seu Espírito e pensamos: “Será que tudo isso é verdade? ” Daí então, damos um pequeno passo e testamos a firmeza de nossos pés. Ainda em solo firme, colocamos em prática algum conceito bíblico para ver o que irá acontecer.  Talvez tomemos a decisão de separar um tempo de devoção diário e logo nos sentimos mais perto de Deus.  Começamos a entender ensinamentos espirituais e a experimentar uma mudança de atitude ou mudamos algo em nossa personalidade. Lemos um pouco mais. Fazemos muitas perguntas a nós mesmos.  Damos um passo de fé. Não nos desapontamos. Assim construímos confiança. Nossa caminhada com Deus começa a se fortalecer.

Imagino que o relacionamento com seu marido começou da mesma forma. Vocês foram se conhecendo aos poucos. Depositaram fé e confiança um no outro. A confiança foi crescendo passo a passo.

Só há um problema.

Deus é incrivelmente perfeito, é sempre coerente, nunca falha, é absolutamente seguro, é completamente digno e podemos confiar nele com toda a tranquilidade.   Nós não somos assim.

Então, como será que um casamento pode ser forte se a confiança é uma das qualidades que o casamento exige?  Como podemos confiar um no outro se temos uma natureza imperfeita e tendemos ao pecado?

A solução é simples, mas não é fácil. Confiamos em nosso cônjuge quando imitamos a atitude de Deus com relação a nós. Deus confia que nós manteremos as promessas que fizemos a ele. Se pecamos ou quando pecamos, Ele nos perdoa e podemos recomeçar.

Quando Deus nos pede para confiar não somente nele, mas também no nosso casamento, ele sabe que está pedindo muito de nós.  Há uma citação de Corrie Ten Boom2 que admiro e que me faz refletir:

”Nunca tenha medo de confiar um futuro desconhecido a um Deus conhecido.” 

Nosso futuro, assim como o mais profundo do coração de nosso cônjuge, pode ser desconhecido para nós, mas ainda assim estamos nas mãos de um Deus que conhecemos.

Aprendendo a confiar

Meus pais se divorciaram quando eu tinha 12 anos. Isso foi algo que não me afetou muito na época, já que meu pai foi um pai ausente na maior parte do tempo. Minha mãe raramente o criticava de modo aberto, embora eu soubesse que ela sofria muito num casamento sem amor. Durante minha adolescência, minha mãe às vezes me fazia de confidente, mais como se eu fosse a amiga que ela tanto precisava do que como uma filha.  Ela começou a se abrir comigo sobre a realidade do casamento. No desejo de me proteger e me preparar, ela compartilhou comigo a filosofia e sabedoria humana que ela tinha adquirido com relação ao casamento, obtida em anos de desapontamento e desilusão.  Ela me disse que todos os homens traiam.  Ela me advertiu contra casar com homens de determinadas culturas porque as mulheres eram como objetos que lhes pertenciam. Ela me aconselhou que se eu decidisse me casar, teria que ser esperta e ter uma conta bancária separada e secreta para que, quando meu marido me abandonasse, eu tivesse algo com que me manter.

Esses comentários, feitos continuamente durante minha adolescência, infiltraram e corromperam meus pensamentos.  Eu achava que ela deveria estar certa; bastava olhar para o que aconteceu com a vida dela e de tantas outras mulheres.  Será?

Quando me tornei cristã aos 22 anos, comecei a aprender a como discernir conceitos espirituais de conceitos mundanos. Não tenho dúvidas da preocupação genuína que minha mãe tinha pelo meu bem-estar. Acredito que ela pensou que estava me dando valiosos conselhos maternos que me poupariam de sofrimento e mágoas. Entretanto, a perspectiva dela não era bíblica. Era uma perspectiva baseada em suas próprias experiências, que não haviam sido governadas por Cristo.

É a hora de mudar!

Como uma jovem discípula de Jesus, eu tinha um longo e árduo caminho a minha frente para aprender a confiar.  Foi necessário um intenso treinamento mental, emocional e espiritual para desfazer as ideias corrompidas acumuladas no mundo e depois substitui-las cuidadosamente com os conceitos espirituais de Cristo.  Foi necessário desenvolver uma nova perspectiva, crer em uma nova narrativa.  Deus iria reformular tudo que eu havia aprendido até então sobre os homens, relacionamentos e casamento.

Essa passagem bíblica me ajudou:

Entretanto, falamos de sabedoria entre os que já têm maduridade, mas não da sabedoria desta era ou dos poderosos desta era, que estão sendo reduzidos a nada. Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória. Nenhum dos poderosos desta era o entendeu, pois, se o tivessem entendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Todavia, como está escrito:

“Olho nenhum viu,
ouvido nenhum ouviu,
mente nenhuma imaginou
o que Deus preparou
para aqueles que o amam”;

10 mas Deus o revelou a nós por meio do Espírito.

O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. 11 Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus. 12 Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente. 13 Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais. 14 Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. 15 Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido; pois

16 “quem conheceu a mente
do Senhor
para que possa instruí-lo?”

Nós, porém, temos a mente de Cristo.

– 1 Coríntios 2:6-16 (NVI)

De acordo com a sabedoria do mundo, eu não tinha nenhuma razão para confiar em mais ninguém.  Como cristã, eu tomei a decisão de não viver mais como as pessoas do mundo, e nesse caso, isso significava dar um passo de fé ao confiar.

 

A sabedoria de Deus é realmente um mistério. Mas com a mente de Cristo, podemos compreender até mesmo um mistério como a confiança.

Recuperando a confiança

A única coisa mais difícil do que construir a confiança é reconquistá-la.  Nós, meros mortais, parecemos ter uma aversão inata a cometer o mesmo erro duas vezes. Daí vem a tendência, por parte de quem perdeu a confiança, de não perdoar e guardar mágoa, mantendo uma lista de ofensas.

Há um provérbio que diz: “Gato escaldado tem medo de água fria. ”

A verdade é que reconquistar a confiança exige tempo, arrependimento (mudança) e um novo histórico impressionante.

Essa passagem apresenta um plano:

Preguei em primeiro lugar aos que estavam em Damasco, depois aos que estavam em Jerusalém e em toda a Judeia, e também aos gentios, dizendo que se arrependessem e se voltassem para Deus, praticando obras que mostrassem o seu arrependimento.   – Atos 26:20 (NVI)

Com arrependimento bíblico, tornamos o impossível em o possível.

Arrepender-se é mudar. O arrependimento é uma mudança que outros conseguem ver. É uma mudança feita de dentro para fora. É real e duradoura.  Nós obtemos isso nos voltando para Deus. Depender do Pai é a única maneira de transformar nossa verdadeira natureza.  Assim, a prova de que mudamos vem por meio de nossas ações e atitudes.

A humildade também é um ponto chave para essa transformação. Você já conheceu alguma pessoa que está claramente agindo errado, vê que está errada, que pode até admitir que está errada, mas fica defensiva quando alguém toca no assunto? Talvez você seja essa pessoa.  Alguém sinceramente interessado em reconquistar a confiança tem a humildade e o bom senso de entender que os outros têm razão em ser cautelosos. A presença da humildade os assegurará e os ajudará no processo de cura que faz parte de reconquistar a confiança.

Quando o arrependimento vem junto com a humildade, nosso passado pode até vir à tona, ser discutido e até usado como exemplo do que não fazer sem que isso nos afete negativamente. Por quê?  Por causa da mudança positiva que aconteceu.

A confiança é mais do que uma ideia elevada ou conceito romântico. Podemos conquistar a confiança.  Ela é real e vale mais do que você imagina. Ela é verdadeiramente o alicerce de qualquer relacionamento sólido. Quais são os seus problemas com relação à confiança? Você está pronta para se alinhar ao padrão da Bíblia? Decida se dedicar e dar os passos necessários para cultivar a confiança. Você ficará feliz por ter tomado essa decisão. Confie em mim!


Como qualquer lista de itens, esta lista pode lhe mostrar suas forças e suas fraquezas, o que já está presente e o que está faltando em seu relacionamento.  Uma lista de itens revela onde você está e aonde você precisa ir.  A boa notícia é que você pode comemorar o que está indo bem e também traçar um plano para fortalecer o que está faltando no seu casamento.  Com dependência de Deus e atenção dedicada ao assunto você logo irá ticar todos os itens.

10 Aspectos de um casamento firme e forte:

 Honestidade, Confiança, Senso de humor, Respeito, Amor, Amizade, Atração, Intimidade, Compromisso, Perdão


Notas de roda pé:

Dra. Joyce Brothers – (20 outubro, 1927 – 13 maio 2013) foi uma psicóloga americana, personalidade de televisão e colunista, que escreveu uma coluna de conselhos de jornal diário de 1960 a 2013. Em 1958, ela apresentou um programa de televisão em que ela dispensou conselhos psicológicos, abrindo caminho para o campo. Ela escreveu uma coluna para a Good Housekeeping por quase quarenta anos e se tornou, segundo o The Washington Post, a “face da psicologia americana”. Brothers aparecereu em dezenas de papéis na televisão, geralmente como ela mesma, mas a partir dos anos 1970 ela aceitou papéis representando personagens fictícios, muitas vezes auto-paródias. (Wikipedia)

2 Corrie Ten Boom – Cornelia Johanna Arnolda ten Boom, conhecida como Corrie ten Boom (Amsterdam, 15 de abril de 1892 — Placentia, 15 de abril de 1983) foi uma escritora e resistente holandesa que ajudou a salvar a vida de muitos judeus ao escondê-los dos nazistas durante a II Guerra Mundial. Ten Boom registrou sua autobiografia no livro O Refúgio Secreto, que posteriormente foi adaptado para o cinema em um filme com o mesmo nome. Em dezembro de 1967, Ten Boom foi honrada com a inclusão de seu nome nos “Justos entre as Nações” pelo Estado de Israel. (Wikipedia)